• Suely Tonarque

Cabelos Brancos - Um divisor de águas.


imagem google


Muitas amigas acompanharam, outras já leram o que penso sobre assumir ou não os cabelos brancos, no meu livro*, enfim, esse assunto pra muita gente ainda complicado, não foi diferente para mim. Por isso, vou reproduzir aqui o trecho que confesso mais essa minha dificuldade no enfrentamento da velhice:


“ As transformações com o meu corpo me deixaram, através do tempo, desgostosa devido à perda da forma e do frescor da juventude. Aos 25 anos, surgiu o primeiro fio de cabelo branco e o arranquei imediatamente! Mas, foi em vão: aos poucos foram surgindo muitos outros e, com 38 anos, inconformada, ia loucamente ao cabeleireiro para esconder os cabelos brancos, pintava-os de vermelho, de loiro e fazia reflexos dourados. Aos 45, a cor escolhida era castanho escuro, que permaneceu por muitos anos. Agora, com 68 anos, estou assumindo a minha velhice de verdade. Se quando apareceram os primeiros sinais da velhice era difícil me reconhecer no espelho, hoje me olho nele e me reconheço. Atualmente, tenho consciência que meus cabelos brancos representam para mim os anos vividos. Sim, reconheço a minha velhice como um capital de sabedoria, de vivências, também de dissabores, de alegrias e tristezas, de perdas e ganhos nessa arte de viver cada desafio, nessa liberdade que conquistei com intensidade, recheada de beleza, sensibilidade e amor. Uma velhice com saúde, carregada de novos projetos, sonhos que se realizaram e outros sonhos que se realizarão. Por tudo isto, neste momento da minha vida, compreendo o porquê da vontade deixar os cabelos brancos. Às vezes me acho nostálgica, com muita vontade de voltar no tempo e recuperar minha juventude, que ainda está muito viva dentro de mim. Nessas ocasiões, surge uma tristeza, pois esse tempo não voltará. A minha imagem hoje é outra. É uma imagem que, ao me olhar no espelho, me encanta e me assusta; envaidece-me porque me acho bonita e me deixa triste pela consciência de finitude. É assim que eu me sinto e, mesmo possuída pela tristeza e pela melancolia, surge a vontade de viver mais um novo dia. Os cabelos brancos foram para mim um divisor de águas entre a juventude e a maturidade, marcando fortemente a entrada nessa fase. As rugas – que já estavam presentes – não tiveram a mesma intensidade na minha psique como os cabelos brancos ”

*Vestir com os desafios do envelhecimento


Mas, um complemento cabe aqui: me sinto bem feliz com meus cabelos brancos. Eles deixam o meu rosto mais suave, mais leve, o cinza prateado realça meus vestidos, meus colares, minha maquiagem. Estou bem com eles. E torço para que você que ainda está em dúvida, possa viver alegremente com ela, ultrapasse, dispensando também esse gasto com as tintas, porque não temos tempo e nem dinheiro a perder!



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