• Suely Tonarque

Siuza Tonarque (Duda)


Siuza Tonarque em Aiuruoca –MG

"Nasci em Rancharia, interior de São Paulo, onde permaneci até os 6 anos quando minha família mudou-se para Araçatuba; lá vivi a adolescência com meus quatro irmãos. Fiz da piscina minha diversão até atingir a natação amadora e competir para o clube da cidade. Aos 18 anoss, vim para a capital; cursei Educação Física com o objetivo de me profissionalizar como atleta, mas logo percebi que não era esse o meu caminho...

Meu caminho começou a ter um norte em 1979 quando conheci a cidade de Aiuruoca, em Minas Gerais: tudo me pareceu familiar, mesmo sem saber ao certo o que havia por trás desse lugar encantado.


E foi ali onde dei meus primeiros passos na iniciação espiritual através da Eubiose e da prática do Tai Chi Chuan com o Mestre Pai Lin, acompanhada de meditações sobre a sabedoria do Tao.

Educação Física, saúde, medicina oriental, Tai Chi, estudos místicos, predileção pela cura: assim girava o meu universo até conhecer Boby Stepanemko, um grande nome da joalheria. Ele me seduziu com sua arte e despertou minha desconhecida (até então) vocação artística. E desse encontro mágico, as portas se abriram para outros caminhos!


Uma nova jornada surgiu quando mergulhei no reino mineral dos metais e das pedras; associada ao meu conhecimento esotérico, eu fazia um paralelo com os planetas, a energia das pedras, formas: um encantamento com esses elementos envolvia minha alma, mas também um olhar para uma nova profissão... Tive a oportunidade de explorar o mercado masculino, criando e fornecendo mais de 500 mil prendedores de gravadas para todo o país: peças quase sempre exclusivas, e a surpresa de conseguir imprimir infinitos detalhes em um espaço tão pequeno nesses objetos. Essas peças se tornaram um surpreendente sucesso!


Já cansada de tanto metal, pensei em mudar de material: escolhi a madeira e pensei em móveis sustentáveis com materiais descartados dos grandes centros. Baseada em minhas inspirações (nada padronizadas), idealizei uma marcenaria com um método simples que possibilitaria a pessoas sem experiência, através de um passo a passo, fazer seus móveis com desenho e estilo próprios. Levei esse projeto para ONGs onde trabalharia com a periferia. Foi bem aceito. Mas, infelizmente por razões políticas e sociais não consegui realizar esse sonho.


Continuei a pesquisa e observei que madeira e metal tinham algo em comum. Assim, uni as folhas de madeira aos metais – prata, cobre, alumínio e latão – e nasceu uma interessante coleção de pulseiras e anéis. Algo surpreendente que me abriu portas para expor na loja Maria Bonita e de outras marcas. Já pensando no universo feminino e me aprofundando nessas possibilidades, incluí o aço cirúrgico e o chumbo.

Vivia um bom período profissional. Mas, como não sou dada a rotinas, novas ideias surgiram: eliminei ao máximo os metais e exaltei as pedras. Surgiram então as chuvas de pérolas e pedras sem feixo, facilitando o uso e fui me surpreendendo a cada peça. Nessa etapa, estava envolvida com as águas marinhas. Orientada pelo Sr. Afonso – lapidador de total confiança da cidade de São Paulo que trabalhava com formas livres explorando e exaltando a beleza de cada pedra, comprava essas pedras – fui obtendo resultados que meus olhos acompanhavam surpreendidos.

No que se refere ao meu processo de busca interna, de valores mais íntimos da alma, fui atraída pela filosofia do Falun Dafa, uma prática de meditação de origem chinesa com base em 3 fundamentos: Verdade, Compaixão e Tolerância. Como diz o mestre, fácil de falar e difícil de fazer...


Siuza Tonarque usando vestido dudabyduda e colar da sua coleção.

Na sequência, sempre curiosa e em busca de novos desafios, fui atraída pelas vestimentas ao observar que era um mercado carente e interessante de ser explorado. Minha preferencia sempre foi voltada para as vestimentas confortáveis, de estilo despojado, bons tecidos, conforto e, claro, beleza!

Vestir o corpo me lembra a simplicidade dos trajes da Grécia, Egito e Ásia em geral, onde os homens utilizavam pouco material, mas com grandes resultados. Hoje, numa época onde tudo já é bastante explorado, senti a necessidade de novos rumos, embora com a mística do passado: pensei em trajes para uso próprio e logo senti a aceitação das amigas que fizeram pedidos. Resultado: fui andar por esse maravilhoso mundo dos tecidos. Alguns muito bons e outros nem tanto, mas foi imprescindível pesquisar as padronagens desse incrível reino vegetal que me encanta!

No início, não me importava com os acabamentos; buscava apenas descobrir as possibilidades que os tecidos me ofereciam. Mas, logo percebi que era necessário um melhor acabamento, valorizando a originalidade da peça.



Siuza Tonarque com a sua mais recente criação: luminárias de papel! Essa foto e a anterior são do projeto Essa Sou Eu, produção e fotografia de Roberto Lourenço e Alexs de Jesus.

Quase sempre me transporto para a Ásia na hora do corte: vejo simplicidade, conforto e beleza; também gosto de ver roupas de outros profissionais e experimento reproduzir um novo olhar para cada peça. E, assim, testo as minhas habilidades! Procuro modelos complicados e resolvo com simplicidade. Isso me dá confiança para o próximo corte. Tenho também o privilégio de ter a Suely Tonarque como irmã, pois ela está na área da moda há mais de 30 anos e, com muito profissionalismo, atendendo o público. Tenho a certeza de que ela faz o melhor a cada dia.”


* Texto de Siuza Tonarque para o livro Vestir com os desafios do envelhecimento de Suely Tonarque.

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